A liberação de áudios e transcrições
de diversas interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava
Jato, na tarde dessa quarta (16), concentrou as atenções dos
parlamentares na Reunião Plenária desta quinta (17). Os deputados
pernambucanos usaram a tribuna para se manifestar sobre a legalidade do
procedimento e o conteúdo das escutas.

O primeiro a comentar a temática foi o deputado Antônio Moraes (PSDB),
no Pequeno Expediente. Ele leu trechos das conversas grampeadas, que
chamou de “pouco republicanas”, e destacou o que seriam contradições do
atual Governo. “Tem conversa mandando ex-ministro cobrar gratidão do
procurador-geral da República, o prefeito do Rio de Janeiro fazendo
deboche do sítio em Atibaia e do triplex, Lula chamando os ministros do
Supremo (Tribunal Federal) de ‘frouxos’ e pedindo ao ministro da Fazenda
que ele interviesse na Receita Federal e na Polícia Federal. É
lamentável o que vimos ontem”, observou.
No Grande Expediente, foi a vez do
deputado Edilson Silva (PSOL) se posicionar. “Não vi ninguém indignado
com a postura do juiz Moro, que grampeou a presidente (Dilma Rousseff) e
liberou o áudio em uma atitude fora da sua competência”, avaliou. O
parlamentar destacou que a sociedade está polarizada, mas que é da
oposição programática ao Governo Dilma. “Sou contra as propostas de
reforma da previdência e de ajuste fiscal e contra a criminalização dos
movimentos sociais. Mas também sou contra a tentativa de expulsá-la do
cargo sem base material para isso”, salientou. Para o psolista, a
Operação Lava Jato, que até então estaria apresentando resultados
importantes para o fortalecimento da República, tem tomado rumos
perigosos nos últimos dias.
Em apartes, os deputados Clodoaldo Magalhães (PSB) e Rodrigo Novaes (PSD)
fizeram o contraponto parabenizando o trabalho do juiz Moro. “Esse
vazamento, que eu chamo de publicação do que é importante para a
sociedade brasileira, foi feito responsavelmente. Acredito que o STF vai
devolver o processo para ele”, defendeu o socialista. “O conteúdo das
gravações mostra uma tentativa de Dilma acobertar Lula de maneira a
evitar sua prisão e condenação em primeira instância. Quero elogiar o
juiz Moro por sua coragem, passando a limpo o País, como a classe
política não soube fazê-lo”, acrescentou Novaes.
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Texto: ALEPE
Imagem: Rinaldo Marques




