
O problema aumentava, quando ateavam fogo nos resíduos e a fumaça provocava sérios danos à saúde da população vizinha ao local. Várias denúncias a órgãos estaduais contra este lixão resultaram em reportagens de rádio e televisão, expondo esta situação, tornando-se verdadeira ferida à “Cidade Feliz”.
“Com trabalho, esforço e articulações conseguimos realizar a desativação do lixão de João Alfredo. Apesar das exigências dos órgãos fiscalizadores, muitas vezes a realidade dos municípios é bem distante do que está sendo cobrado no papel. Os amigos prefeitos e secretários entendem bem dos nossos desafios. Mas, apesar das adversidades, chegamos lá. Passo aqui para pedir a colaboração de todos no atendimento ao calendário de coleta de lixo na cidade. Cada um fazendo a sua parte, João Alfredo ganha em todos os aspectos, pois, juntos construímos mais. Obrigada pela confiança, João Alfredo”. Foi assim que falou a prefeita Maria Sebastiana, ao comemorar o fim do lixão desta cidade.

A prefeita frisa que o próximo passo será a organização dos catadores através uma cooperativa, gerando, por certo, emprego e renda para muitas famílias. A cooperativa de reciclagem ajuda a gerar empregos e colabora para a valorização do trabalho dos próprios catadores. Uma cooperativa também realiza cursos de capacitação profissional, promove oficinas de artesanato com parte do material recolhido e é constantemente chamada para trabalhar em eventos.
Também é importante a constante campanha junto à população no tocante à reciclagem do lixo. A reciclagem auxilia no processo de preservação ambiental, ao passo que diminui o uso de recursos naturais para a fabricação de embalagens.

Desativação
Na realidade, segundo o agrônomo e secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente Severino Souza, o processo de desativação do lixão da Asa Branca foi iniciado no mês de dezembro do ano passado, sendo os resíduos sólidos em parte reciclados nesta cidade e parte encaminhada a um aterro sanitário situado em Caruaru.
Os resíduos que ficaram no lixão agora desativado foram cobertos com terra para facilitar a decomposição. “Será um processo longo e custoso, mas acreditamos na recuperação da área. O lixão é considerado uma irregularidade pela Lei de Crimes Ambientais e pela Política Nacional do Meio Ambiente. Com a desativação do lixão, João Alfredo passa a ser a única cidade da região que dá o destino correto aos resíduos sólidos e atende às exigências da Política Nacional do Meio Ambiente. Que sirva de modelo e exemplo para as cidades vizinhas”, frisou Severino Souza.
Vale também destacar o grande empenho da Secretaria de Obras e Serviços Públicos, que atua diretamente no serviço de limpeza pública e coleta dos resíduos, para que este projeto se tornasse em realidade. “A população não podia mais conviver com aquele lixão a céu aberto, prejudicando a saúde e os catadores arriscando suas vidas. Agora, com a triagem do lixo seco, somente os rejeitos serão encaminhados para o aterro sanitário em Caruaru. Após a triagem, com a comercialização de materiais, o lixo aos poucos deve deixar de ser um problema para o município”, explicou o secretário Severino Moacyr.
O secretário municipal de Administração Josevaldo Santana enfoca que a reciclagem agora é uma grande solução e ela começa dentro de casa, com a separação do lixo. Em João Alfredo a prefeitura municipal passa a desenvolver projetos promovendo o reconhecimento do catador de materiais para a reciclagem, como um profissional. Não como um indivíduo que separa o lixo, e sim como aquele que desenvolve o seu trabalho em prol da sociedade, assumindo a função de um educador ambiental, e demonstrando sua responsabilidade social, ambiental e econômica.
Lixo e reciclagem
O problema do lixo envolve questões de saúde pública, saneamento e também vários problemas sociais, pois, quando os resíduos sólidos não são tratados de forma adequada, pode ocorrer a contaminação do solo e da água além de propiciar a proliferação de doenças através de vários vetores. Dessa forma, a questão do lixo envolve aspectos sanitários, ambientais e de saúde pública. Essa situação tem sido agravada com a presença constante de catadores em lixões, e que com muita frequência tem sido desconsiderados ou relegados a um segundo plano pelos administradores públicos e privados.
Usina de Reciclagem e Compostagem do Lixo Urbano, criada em 1990 e depois desativada
Em João Alfredo, no início da década de 1990, no segundo governo do ex-prefeito Sebastião Mendes, a municipalidade em parceria com o governo do estado criou uma usina de reciclagem e compostagem do lixo urbano, ao lado do campo de futebol da Asa Branca, uma comunidade que na época estava em formação. Na gestão seguinte, a usina foi desativada e o lixo passou a ser depositado no próprio campo de futebol até o final de 1996, quando o depósito foi transferido para Tamanduá de Geminiano, praticamente na entrada da cidade. Adiante, em 1998 o lixão foi novamente relocado para a povoação do Borba até a sua recente desativação.
A preocupação da gestão municipal de João Alfredo, além da conscientização da população também é com a ponta desta cadeia: os catadores de material reciclável. O crescimento do desemprego juntamente com as modificações no mercado de trabalho e na própria organização econômica no Brasil e no mundo está desencadeando um forte processo de expansão de novas formas de organização do trabalho e da produção.
É muito importante que a implantação da cooperativa seja concretizada, já que, com a formalização do trabalho, haverá mais dignidade, além de maiores lucros para os catadores.
Haverá uma redução dos custos de limpeza urbana, servindo de exemplo para outras localidades.
Fonte Dimas Santos





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